Pesquisa analisa eventos corporativos nesta fase da pandemia

Pesquisa analisa eventos corporativos nesta fase da pandemia

Embora não se possa falar, com plena convicção, em pós-pandemia, há consenso sobre o arrefecimento do contágio, no Brasil. A flexibilização paulatina permite retomada cuidadosa das atividades econômicas, em conformidade com os protocolos homologados pelas autoridades sanitárias.

Nesse contexto, situa-se a indústria de eventos corporativos – uma das mais impactadas e que representa milhares de empregos diretos e indiretos.

Para medir o ânimo e examinar a percepção do participante de eventos corporativos, a Tour House, em parceria com a 4C Solution, realizou a 1ª Pesquisa de Mercado – Bússola Mice. Os profissionais abordados, por meio de questionário online, geraram 1.409 respostas.

Propósito da pesquisa: entender o comportamento e preferências dos convidados dos eventos dos clientes no cenário pós-pandemia e trazer insight ao mercado para uma retomada mais assertiva. A pesquisa volta-se para aquele que está na ponta – e que é o convidado do evento. E foi realizada no período de 1º a 8 de outubro de 2020.

As principais áreas de atuação dos respondentes, numa escala descendente, ficaram assim definidas: Medicina (33.4%); Indústria de Alimentos e Bebidas (18,5%); e Indústria Automotiva (16,3%). O agrupamento ‘outros’ somou 19,9%. As áreas da Indústria de Bens de Consumo; Indústria Farmacêutica; Comunicação e Informação; e Financeira somaram 11,9%.

Eventos Nacionais

O estudo levou em conta a preferência dos respondentes quanto a eventos presenciais e digitais. Em se tratando dos Eventos Nacionais, 60,6% disseram preferir os presenciais. Os fatores de engajamento de maior relevo foram Networking e Aprendizado Qualificado. Experiência no Destino revelou-se o fator com menor engajamento.

Por outro lado, na avaliação do engajamento quanto aos eventos online, Segurança Sanitária apareceu como fator mais relevante, como seria de esperar. Quando questionados sobre quantidade de dias e horas/dia de duração, os pesquisados manifestaram disposição em gastar mais tempo nos eventos presenciais.

Para eventos online, 74,1% optaram pela duração de dois dias. Em relação aos presenciais, 52,1% responderam que o ideal seriam três dias. Sobre a quantidade de horas, no presencial, 37,9% dos respondentes apontaram de 5 a 6 horas; e 36,5% de 4 a 5 horas. No online, o ideal para 56,9% seriam eventos de 2 a 3 horas/dia.

Eventos Internacionais

Os números relativos aos eventos internacionais seguiram diapasão similar àquele dos nacionais. A preferencia pelos eventos presenciais caiu 2,5% mas, ainda assim, chegou a 58,1%. Os fatores de engajamento mais relevantes recaíram sobre Networking, Aprendizado Qualificado e Troca de Ideias com participantes. Aprendizado mais Qualificado e Experiência no Destino revelaram-se os menos relevantes.

O engajamento em relação aos eventos online mostrou, também, Segurança Sanitária como o fator de mais relevância. Sobre a quantidade de dias e horas/dia de duração, os pesquisados sobre eventos internacionais também mostraram maior disposição em investir mais tempo nos presenciais.

Nos eventos online, ideal ficou em dois dias para 60,2% dos respondentes. No presencial, 50,5% responderam que o ideal seriam três dias. E para 38,4%, 7 dias. Em relação à quantidade de horas, no presencial, 46,2% apontaram o ideal de 5 a 6 horas e 36,7%, de 4 a 5 horas. No online, 48,1% consideram o ideal de apenas 2 a 3 horas/dia, enquanto 24,7% preferem de 3 a 4 horas/dia.

Outras indicações

Avaliação de questões de qualificação de importância em eventos nacionais e internacionais destacou Lançamento de Produtos e Congressos como os preferidos na forma presencial. Estudo também deixou claro que Convenções e Festas de Confraternização não são bem vistas no formato online. E mostrou que eventos de Capacitação são pouco impactados no online.

Mateus Couto Passos é formado em Marketing e Pós-graduado em Estratégias Empresariais. Atua no mercado de Viagens, Eventos e Incentivos Corporativos há 30 anos. É sócio e está como CEO da Tour House Eventos e Incentivos Ltda, onde nos últimos 8 anos tem realizado a gestão da conta de Eventos para empresas como Unilever, BRF, Pfizer, Ambev, Roche, Abbott, Renault, Sony, Grupo SEB, entre outras do mercado. Integra o Conselho de Adm. da ALAGEV (Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas) e também o comitê de Eventos da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas).

Repercussão

Lúcio Oliveira – diretor de Vendas e Novos Negócios da 4C Solution, diz que sua expectativa em relação ao resultado da pesquisa era uma preferência mais acentuada pelos eventos presenciais, em todos os aspectos. “Não foi isso que aconteceu. Ficou claro que, num cenário, digamos, de Covid-19 dominada, embora o presencial seja o preferido, o formato online ganhou espaço. A tendência aponta para a convivência dos dois modelos, de modo independente ou híbrida. A pesquisa traduz a visão do mercado, no momento em que foi realizada”.

Mateus Passos – CEO da Tour House Eventos, entende que o estudo trouxe elementos tangíveis para se investir em planejamento de eventos – sejam eles presenciais ou online. “Mostra que é o momento de se programar, na perspectiva do mercado, do participante e dos fornecedores, que é o caso da Tour House. A pesquisa fornece indicações sobre como se preparar para atender demandas presenciais e online, em termos de estrutura, tecnologia e equipes treinadas. A pandemia, a despeito das dores, nos deu a chance de repensar o tema e criar uma nova matriz de execução de eventos”.

Rodrigo Cezar – Events & Travel Manager Brazil da Roche, ressalta que a pesquisa acertou em escolher o usuário como respondente – e não os executivos e profissionais de intermediação. “A pesquisa deixa claro que aquele ranço em relação ao virtual mudou. Acredito que, se aplicada antes da pandemia, não teríamos o resultado de 40% para o virtual, contra 60% do presencial. Um dado curioso está na carga horária dos eventos presenciais nacionais e internacionais. Nos internacionais, a preferência é por carga horário maior, em relação aos nacionais. Vivemos uma realidade de muito aprendizado. Verdades absolutas vão morrer, decisões automáticas estão com os dias contados. Tem mais: evento virtual bem feito pode custar igual ou mesmo mais que um presencial”.

Gisela Maranhão – sócia-diretora da 4C Solution, comenta o recorte utilizado, de focar o viajante, aquele que vai decidir se estará ou não no local do evento. “O medo, em relação à saúde, ainda é muito forte. Essa pesquisa é um trabalho para ajudar as empresas a se planejarem para 2021 e 2022. Queremos, em síntese, contribuir para a evolução da indústria de eventos, uma das mais importantes do nosso país”.

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