Para crescer, a empresa precisa dividir o comando
Elias Torres, fundador do Grupo Seu Elias, defende a formação de líderes e a autonomia das equipes para sustentar a expansão dos negócios
O crescimento de uma empresa exige mudanças na forma de administrar pessoas, distribuir responsabilidades e tomar decisões. Nos primeiros anos, é comum que o fundador acompanhe a rotina dos funcionários e participe diretamente da solução dos problemas. À medida que a operação aumenta, porém, essa proximidade pode se transformar em um obstáculo, principalmente quando a equipe depende da aprovação do proprietário para executar tarefas e resolver situações cotidianas.

À frente do Grupo Seu Elias, que reúne diferentes negócios no segmento de beleza masculina, Elias Torres conhece os desafios de ampliar uma operação sem concentrar todas as decisões nas mãos do fundador. Para o empresário, profissionalizar a liderança significa desenvolver pessoas capazes de administrar equipes, acompanhar resultados e assumir responsabilidades. Essa preparação também exige criar processos que orientem o trabalho e permitam manter os padrões da empresa durante a expansão.
“Tem empresário que quer crescer, abrir novas unidades e aumentar o faturamento, mas continua querendo resolver tudo sozinho. Ele acredita que, se não estiver presente, as pessoas não vão conseguir trabalhar. Só que chega um momento em que essa postura começa a limitar a própria empresa. Você precisa aprender a formar líderes e deixar que eles assumam responsabilidades”, afirma Seu Elias.
O primeiro passo está em identificar profissionais que demonstrem capacidade de organização, iniciativa e habilidade para lidar com gestão e pessoas. Entretanto, apresentar bom desempenho técnico não significa estar preparado para assumir uma equipe. A formação de gestores envolve treinamento, acompanhamento e oportunidades graduais para exercer a liderança, com responsabilidades definidas e orientações sobre como conduzir conflitos, avaliar resultados e desenvolver colaboradores.
“Funcionário não é criança e precisa ser tratado como adulto. Isso significa respeitar, orientar, dar autonomia e cobrar responsabilidade. O empresário não pode ter medo de conversar, dar feedback ou tomar uma decisão porque está preocupado com o que a equipe vai pensar. Liderança exige clareza e transparência”, explica o fundador do Grupo Seu Elias.
Outro ponto é estabelecer uma rotina de gestão que permita acompanhar o desempenho sem interferir continuamente no trabalho dos responsáveis por cada área. Reuniões periódicas, indicadores de produtividade, metas e critérios claros para decisões ajudam a identificar problemas antes que eles cheguem ao proprietário. Dessa forma, o acompanhamento deixa de depender da supervisão individual e passa a fazer parte dos processos da organização.
A cultura empresarial também precisa ser incorporada à preparação dessas lideranças. Valores, comportamentos esperados e padrões de atendimento devem orientar treinamentos, avaliações e decisões cotidianas. Quando esses princípios são compartilhados, os gestores conseguem conduzir suas equipes com autonomia, preservando a identidade da marca mesmo em operações distribuídas por diferentes unidades.
“Cultura não pode ser apenas aquilo que o dono fala quando está presente. As pessoas precisam entender como a empresa funciona, o que ela valoriza e quais comportamentos espera de cada profissional. Quando você capacita lideranças que compartilham esses princípios, consegue crescer sem precisar estar em todos os lugares ao mesmo tempo”, destaca.
Para o empreendedor, essa profissionalização também transforma as atribuições do fundador, que passa a dedicar sua atenção ao planejamento, à expansão e ao desenvolvimento de novas lideranças, enquanto os gestores assumem a condução das operações.
“Chega um momento em que o empresário precisa entender que seu trabalho não é mais resolver tudo, mas preparar pessoas para que elas consigam resolver. Se você quer crescer, precisa formar líderes, confiar na sua equipe e construir uma cultura que funcione mesmo quando você não está presente. Uma empresa não pode depender de uma única pessoa para continuar crescendo”, conclui Elias.