Saúde mental dos nossos filhos: um cuidado compartilhado

Saúde mental dos nossos filhos: um cuidado compartilhado

O tema saúde mental nunca esteve tão presente nas rodas de conversa, na mídia e até mesmo no trabalho. Mesmo diante dessas informações, muitos pais ou responsáveis encontram dificuldade para identificar os sinais de sofrimento dos filhos. A rotina acelerada da contemporaneidade faz com que precisemos estar ainda mais atentos a essa temática. Segundo o filósofo Byung-Chul Han, vivemos em uma “sociedade do cansaço”, caracterizada pela busca constante por desempenho e produtividade. Estamos imersos em uma realidade marcada pelo hiperconsumo e pelo uso intenso da tecnologia, repleta de estímulos, facilidades e comparações.

É mais fácil identificar quando estamos com uma dor física do que perceber uma dor emocional. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), aproximadamente metade dos transtornos mentais tem início antes dos 14 anos, embora muitos casos não sejam identificados ou tratados precocemente.

Percebe-se que atualmente nos deparamos com diversos desafios na educação dos filhos, e o ambiente familiar constitui a referência central para o amparo físico e emocional das crianças e jovens. A promoção do bem-estar emocional não é um dever apenas da escola ou dos serviços de saúde; trata-se de uma construção coletiva que favorece o desenvolvimento integral infantojuvenil.

Todavia, a família é a principal referência afetiva da criança e do adolescente, e desenvolver uma parceria com a escola é de suma importância. Cada qual com sua responsabilidade. A equipe pedagógica tem um papel fundamental: atua como mediadora entre o aluno, a escola e os responsáveis, garantindo o bem-estar psicológico do aluno. O ambiente escolar favorece a construção da identidade, pertencimento e pensamento crítico do indivíduo, mas sabe-se que provas e trabalhos podem gerar gatilhos que acarretam ansiedade e tristeza.

Mas como olhamos para a saúde mental dos nossos filhos se estamos imersos nessa dinâmica de comparação, cobranças e consumo?

Criar estratégias diárias é necessário para uma atitude preventiva, que visa à qualidade de vida e ao cuidado da saúde psíquica de toda a família, como desenvolver pequenos hábitos que fazem diferença na dinâmica da casa, entre eles, destacam-se: estabelecer limites de horários; organizar a rotina para ter um tempo adequado de sono; reduzir o uso de telas; manter uma alimentação equilibrada; praticar atividades físicas e promover um diálogo aberto e uma escuta ativa, buscando sempre compreender e validar sentimentos, além disso, abrir espaço para falar sobre as angústias e medos é essencial.

A psicoeducação – entendida como conhecimento sobre o funcionamento emocional – surge como uma ferramenta preventiva que possibilita o acesso ao conhecimento sobre habilidades emocionais, sinais de sofrimento psíquico e formas de amparo. Dessa maneira, pais, responsáveis e educadores tornam-se mais preparados para reconhecer dificuldades precocemente. No entanto, esse cuidado não deve ser uma preocupação apenas quando surgem sinais de sofrimento, como isolamento, mudanças de comportamento ou baixo rendimento escolar. Assim como incentivamos hábitos saudáveis para o corpo, também precisamos dedicar atenção às questões emocionais. Quando o núcleo familiar e a escola assumem essa responsabilidade em conjunto, ampliam-se as possibilidades de um desenvolvimento saudável e integral de crianças e adolescentes.

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