Ciclo De Cultura Tradicional Traz Estreias De Documentários E Apresentações Musicais

Ciclo De Cultura Tradicional Traz Estreias De Documentários E Apresentações Musicais

Nomes como Karina Buhr e Maurício Badé participam das conversas que seguem após as sessões audiovisuais

Diferentes realizadores audiovisuais com olhares para os temas e territórios das comunidades caiçara, indígena e caipira, e para as tradições afro-brasileiras, nordestinas, religiosidade e cultura popular, estreiam seus documentários de curta-metragem no Ciclo de Cultura Tradicional 2021, projeto que percorre o estado paulista e que é realizado pelas Oficinas Culturais, programa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo e gerenciado pela Poiesis. A programação gratuita, com acessibilidade em Libras e veiculada no canal de YouTube,  será apresentada por uma semana, de 7 a 12 de novembro.

Os seis documentários foram produzidos a partir da proposta do Ciclo de Cultura Tradicional, o qual possibilita conexões entre passado, presente e futuro, além de atuar como um espaço para convivências e troca de saberes entre público, agentes culturais, pesquisadores e mestres. As temáticas das produções audiovisuais que irão estrear são: a ancestralidade de tradições afro religiosas, memórias do povo Guarani Mbya que colaboram na educação escolar, traços de matriz afro-indígena apagados pelo discurso de branqueamento da cultura caipira, a importância da oralidade no cotidiano dos alunos, atualização de conceitos como o de quilombo, e o legado da escritora, artista plástica e ativista afro-cultural Raquel Trindade.

O público poderá conferir e interagir nas sessões comentadas por diretores e convidados, entre eles, Carlos Papá, líder e cineasta indígena do povo Guarani Mbya, Maria Trindade, da família Solano Trindade, cineasta, cantora e dançarina das manifestações culturais afro-brasileiras, Mãe Beth de Oxum, Iyalorixá do Ilê Axé Oxum Karê, mestra coquista e eleita Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco em 2021, Maurício Badé, músico e fundador da Batucada Tamarindo, além de ter produzido trilhas sonoras para longas como “Central do Brasil” e atuado no musical “Pretoperitamar”, e Karina Buhr, compositora e cantora.

Diversos expoentes da música brasileira apresentarão seus trabalhos. Entre os destaques estão Alessandra Leão, compositora, cantora e percussionista pernambucana; Kunumi MC, escritor da etnia Guarani Mbya e um dos representantes do rap nativo; Jovens Fandangueiros do Itacuruçá, grupo focado nos ritmos da cultura caiçara do litoral sul de São Paulo; e Nação do Maracatu Encanto do Pina, uma das mais importantes nações de maracatu de baque virado. Para mais informações sobre os/as convidados/as, acesse o site do Ciclo (clique aqui).

Em 2021, a consultoria – desenvolvida a partir dos eixos trabalhados pelo Ciclo de Cultura Tradicional – foi feita por Beth Beli, regente do bloco Ilú Oba de Min, percussionista, compositora e arte-educadora, no eixo das tradições afro-brasileiras; Antonio Filogenio de Paula Junior, filósofo, doutor em Educação e atuante em temas como a oralidade africana e educação anti-racista, na parte da cultura caipira; Carlos Alberto Pereira Júnior, historiador e pesquisador das manifestações populares da região do Vale do Ribeira, quanto à cultura caiçara; Renata Amaral, graduada em Música, mestre e doutoranda em Performance Musical pela Unesp, voltada à religiosidade e cultura popular; Sandra Benites, da etnia Guarani Nhandeva, curadora indígena do MASP,  antropóloga e educadora, no eixo da cultura indígena; e a parte das tradições migrantes com Tião Carvalho, músico, dançarino e capoeirista maranhense que iniciou a tradicional festa de Bumba Meu Boi no Morro do Querosene, em São Paulo.

Desde 2014, o Ciclo de Cultura Tradicional é um espaço horizontal de troca, preservação, renovação e expansão de novas conexões entre pensadores, pesquisadores, mestres e agentes das culturas populares. As reflexões a respeito de como a cultura tradicional está presente no contexto contemporâneo já circularam pelos municípios de Araçatuba, Botucatu, Cubatão, Franca, Ibirá, Indaiatuba, Jacareí, Mogi das Cruzes, Mongaguá, Pereira Barreto, Piacatu, Praia Grande, Registro, Santos, São Carlos, São Luiz do Paraitinga, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Tupã, Braúna, Cananéia, Itapetininga, Piracicaba e Ubatuba. Aproveite para conhecer o site da atual edição do Ciclo – aqui.

A seguir, a agenda completa.

Serviço:

Ciclo de Cultura Tradicional 2021

7 a 12 de novembro, domingo a sexta-feira, das 19h às 22h

Assista em: canal de YouTube do programa Oficinas Culturais

Acessível em Libras

7/11, domingo

19h | Filme

DE MAIS LONGE JÁ VIEMOS

Direção: Renata Amaral | BRA | 2021 | Doc | 16 min

Com a necessidade do isolamento social exigida pela pandemia, três comunidades de tradições afro religiosas, celebrações ligadas ao encontro, ao corpo, à complementaridade e à construção coletiva, precisaram buscar novos meios de expressão e recriação desses laços, colocando seus fundamentos ancestrais em diálogo com a tecnologia.

Após a exibição, haverá um bate-papo com Mãe Beth de Oxum, Nega Duda e as realizadoras Renata Amaral e Luiza Fernandes. Mediação: Vagner Gonçalves.

21h | Música

ALESSANDRA LEÃO

A compositora, cantora e percussionista pernambucana Alessandra Leão apresenta o repertório do disco “Macumbas e Catimbós”, lançado em 2019, trazendo músicas autorais e temas tradicionais de terreiros de jurema, candomblé e umbanda.


8/11, segunda-feira

19h | Filme

NHEMBO’E PORÃ: BELO SABER

Direção: Carlos Papá | BRA | 2021 | Doc | 15 min

No território da aldeia Ribeirão Silveira, no litoral norte do estado de São Paulo, professores e lideranças dialogam com pajés, parteiras e conhecedores da memória ancestral do povo Guarani Mbya, buscando uma educação escolar indígena que concilie saberes tradicionais e ocidentais.

Após a exibição, um bate-papo com Arlindo Baré, Sonia Guajajara e o diretor Carlos Papá. Mediação: Julie Dorrico.

21h | Música

OWERÁ (KUNUMI MC)

Owerá, também conhecido como Kunumi MC, é um dos expoentes do rap nativo. No Ciclo de Cultura Tradicional, o rapper e escritor da etnia Guarani Mbya apresenta músicas do EP “My Blood is Red” aos seus recentes lançamentos, como os singles “Jaguatá Tenondé” e “Xondaro Ka´aguy Reguá”.

9/11, terça-feira

19h | Filme

SOBRE PARDINHOS E AFROCAIPIRAS

Direção: Daniel Fagundes | BRA | 2021 | Doc | 28 min

Jeca Tatu, bandeirante, agroboy: quem é o sujeito caipira? A partir de identidades presentes em modas e batuques, catiras e cururus, percebidas nas entrelinhas do cotidiano de Piracicaba, no interior paulista, o filme lança um olhar sobre os traços culturais de matriz afro-indígena apagados pelo discurso de miscigenação e branqueamento da cultura caipira.

Após a exibição, acontecerá um bate-papo com Ediana Maria Raetano, Marcela Costa e o diretor Daniel Fagundes. Mediação: Alberto Ikeda.

21h | Música

DÉH MARTINS & MESTRE GENINHO

Por meio de músicas e histórias, Déh Martins e Mestre Geninho celebram a vida, obra e legado artístico de Antonio Candido, também conhecido como Parafuso, artista cantador de cururu piracicabano que conquistou multidões no interior paulista.


10/11, quarta-feira

19h | Filme

SABEDORIA ITINERANTE: O CAIÇARA, DO EMPÍRICO AO ACADÊMICO

Direção: Allan Alves Carneiro | BRA | 2021 | Doc | 25 min

Um mergulho na experiência da Escola Caiçara da Jureia, projeto educacional realizado em Iguape, no Vale do Ribeira, nos anos 2000. O filme mostra o cotidiano dos educandos e seu método de repasse de conhecimento, utilizado há gerações pelas comunidades tradicionais: a oralidade.

Após a exibição, haverá bate-papo com Junior Mendes, Sônia Rampim e o diretor Allan Alves Carneiro. Mediação: Ric Peruchi.

21h | Música

JOVENS FANDANGUEIROS DO ITACURUÇÁ

O grupo Jovens Fandangueiros do Itacuruçá, formado por moradores da comunidade do Itacuruçá e Pereirinha, na Ilha do Cardoso, litoral sul do estado de São Paulo, apresenta ritmos da cultura caiçara local, como manjericão, dondons e chamarritas, além de músicas de tradições religiosas, como São Gonçalo e toques da Romaria do Divino Espírito Santo.

11/11, quinta-feira

19h | Filme

CAFUNDÓ – O QUILOMBO NÃO ESTÁ NO PASSADO

Direção: Daiane Pettine | BRA | 2021 | Doc | 27 min

Gravado no Quilombo do Cafundó, a cerca 100 km da cidade de São Paulo, o curta parte de relatos pessoais de cinco moradoras, propondo uma atualização dos conceitos de quilombo, tecnologia e relações. Política, agricultura e ancestralidade se transformam em alimentos diários de alegria e resistência, mostrando que, definitivamente, o Quilombo não está no passado.

Após a exibição, haverá bate-papo com Cyda Baú, Maria Walburga dos Santos e a diretora Daiane Pettine. Mediação: Chirlene Pereira.

21h | Música

JÉSSICA GASPAR

O espetáculo “Filha de Mestre”, desenvolvido por Jéssica Gaspar, compositora e intérprete da canção “Deus é uma mulher preta”, apresenta um repertório de músicas autorais, criadas a partir de influências culturais brasileiras, latinas e africanas que apontam a estética e poética em pesquisa para seu álbum autoral de estreia, que está em processo de gravação.

12/11, sexta-feira

19h | Filme

DIDE TI KAMBINDA

Direção: Maria Trindade | BRA | 2021 | Doc | 16 min

Rainha Kambinda, mulher, negra, ativista, artista, pesquisadora, criadora do Teatro Popular Solano Trindade, da Nação Kambinda de Maracatu e uma das principais griots da cultura afro-brasileira e nordestina: o filme narra a chegada de Raquel Trindade a São Paulo e seu impacto na cultura popular paulista.

Após a exibição, haverá um bate-papo com Karina Buhr, Maurício Badé, Tião Carvalho e a diretora Maria Trindade. Mediação: Maria Acselrad.

21h | Música

NAÇÃO DO MARACATU ENCANTO DO PINA

Nação do Maracatu Encanto do Pina é uma das mais importantes nações de maracatu de baque virado, típica manifestação cultural pernambucana. Possui como mestra do batuque a Yakekerê Mãe Joana da Oxum, primeira mulher mestra na história do maracatu de baque virado.

SOBRE O PROGRAMA OFICINAS CULTURAIS

Como uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo e gerenciado pela POIESIS – Organização Social de Cultura, o Programa Oficinas Culturais dialoga com o interior por meio de dois festivais (FLI – Festival Literário e MIA – Festival de Música Instrumental), Jornadas de Gestão Cultural, Ciclos de Estudos sobre Cultura Tradicional e Contemporaneidade, Programa de Qualificação em Artes que dá orientação artística a grupos, companhias ou coletivos de dança e teatro no interior, litoral e região metropolitana de São Paulo, e o Programa de Formação no Interior que oferece atividades formativas.

Além disso, na cidade de São Paulo, o programa realiza atividades de formação e difusão em três espaços:  Oficina Cultural Oswald de Andrade (Bom Retiro), Oficina Cultural Alfredo Volpi (Itaquera) e Oficina Cultural Maestro Juan Serrano (Taipas).

SOBRE A POIESIS

A Poiesis – Organização Social de Cultura é uma organização social que desenvolve e gere programas e projetos, além de pesquisas e espaços culturais, museológicos e educacionais, voltados para a formação complementar de estudantes e do público em geral. A instituição trabalha com o propósito de propiciar espaços de acesso democrático ao conhecimento, de estímulo à criação artística e intelectual e de difusão da língua e da literatura.

Governo do Estado de São Paulo

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