NDC: E agora José? O açougue vende peixe

NDC: E agora José? O açougue vende peixe

 

 

A compra da Farelogix, grande desenvolvedora do NDC, pelo Global Distribution System GDS Sabre Corporation, voltada à estratégia de expansão da oferta tecnológica ao mercado, sugere a indagação aos profissionais de distribuição de produtos aéreos: E agora José? (Título de um dos famosos poemas de Carlos Drummond de Andrade).

Não nego. A notícia não me surpreende muito, mas nem por isso deixo de tirar o meu chapéu ao Sabre, pela a ousadia e visão. A pergunta que não quer calar está relacionada ao que será feito das parcerias e dos acordos comerciais que a Farelogix construí ao longo dos últimos anos.

Profissionalmente envolvido com o IATA e desde 2013 participando do debate sobre NDC, creio que muitas companhias aéreas novamente perderam o barco (ou seria o avião) da oportunidade. Como sabemos, o motivo principal do NDC é agregar diferenciais com agilidade desde os portais das companhias aéreas como em em todos os canais, sem limitações. Ou seja: incluindo todos os GDSs.

Frente à complexidade do atual cenário, meus brilhantes e capazes ex-colegas da IATA devem estar no mínimo ansiosos quanto aos rumos do NDC. Suponho que manterão, como de costume, a postura politicamente correta ao serem indagados a respeito. Ou seja: dirão com elegância e profissionalismo que tudo continua como antes e o NDC continua firme e forte, a fleuma e picardia franco-anglicana não permite outra forma.

Imagino que os gurus da distribuição e entre eles, como eu não poderia deixar de mencionar, o famoso chefe AA do “Oráculo” em Dallas, devem estar neste momento tratando de rever suas estratégias para cima, se tudo já estiver bem alinhado, ou para baixo, caso a compra tenha sido efetuada à revelia de todos.

De uma coisa tenho certeza: o NDC não será mais o mesmo e muitas decisões drásticas deverão ser tomadas para garantir a sobrevivência do que havia sido visionado desde sua aprovação, em 2014.

Como diretor Executivo da Abracorp – Associação Brasileira de Agências de Viagens, tenho que ser incisivo e perguntar se continuaremos a gerir nosso negócio fazendo de conta que o fato não nos afeta? Continuaremos a investir em modificações e adequações (com custos adicionais que já incorremos em função do tema) solicitadas por nossos parceiros (GDS´s , OBT´s e companhias aéreas) para estarmos adequados ao NDC? Devemos acreditar nos direct-connect propostos por várias aéreas, que caminho tomar?

Creio que uma resposta pautada na atuação firme e transparente da IATA e de todos os GDS´s é devida. O que devemos esperar para os próximos meses? É, no mínimo, o que se pode esperar: esclarecimentos! – a partir dos quais todos nós, stakeholders do nicho corporativo, saberemos como agir da maneira mais inteligente. Enfim, qual avenida devemos tomar e onde será melhor concentrar nossos esforços no campo do serviço de distribuição do conteúdo aéreo.

Do jeito que está, não dá para ficar. Saibamos aproveitar a oportunidade para enriquecer o diálogo. Afinal quem entra em um açougue não espera encontrar peixes.

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